Associação Comercial e Empresarial do Distrito de Aveiro

167 ANOS

Exposição a riscos biomecânicos e lesões músculo-esqueléticas (LMELT) | Como reduzir a carga na sua organização

A ACT lançou uma microcampanha de sensibilização sobre a exposição a riscos biomecânicos e lesões musculosqueléticas. A redução das LMERT e, em geral, das doenças profissionais, exige o envolvimento ativo de todos os agentes do mundo laboral.

As LMELT continuam a ser o problema de saúde relacionado com o trabalho mais prevalente na Europa. Estão associadas a movimentos repetitivos, posturas forçadas, esforços físicos intensos e à movimentação manual de cargas. Em termos europeus, cerca de 3 em cada 5 trabalhadores referem queixas músculo-esqueléticas—principalmente dorsalgias e dores nos membros superiores.

Porque é que isto importa

  • Impacto humano: dor crónica, limitação funcional e pior qualidade de vida. NCBI
  • Impacto organizacional: absentismo, rotação de pessoal, quebra de produtividade e custos indemnizatórios.
  • Obrigação legal: em Portugal, o Regime Jurídico da Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho (Lei n.º 102/2009) impõe a avaliação e prevenção de riscos, formação e vigilância da saúde; o DL n.º 330/93 estabelece requisitos específicos para a movimentação manual de cargas (evitar quando possível; organizar o trabalho e fornecer meios mecânicos).

Fatores de risco biomecânico a vigiar

  • Esforço (força aplicada, peso da carga).
  • Postura (desalinhamentos, torções, flexões, trabalho acima do ombro ou abaixo do joelho).
  • Repetitividade (ciclos curtos, tempo de recuperação insuficiente).
  • Duração/exposição (tempo contínuo na tarefa, pausas).
  • Condições físicas (vibrações, frio, superfícies irregulares).

Nota prática: O DL 330/93 usa valores de referência para “carga demasiado pesada” (≈ >30 kg em operações ocasionais e >20 kg em frequentes); são critérios de alerta que devem desencadear controlo técnico/organizacional. Diário da República

Setores e tarefas típicas

  • Armazém/logística, construção, indústria transformadora, limpeza, saúde e apoio domiciliário, agricultura e retalho (picking, empacotamento, transferência de doentes, empurrar/puxar carros/trolleys, abastecimento de linhas, caixas repetidas).

Como atuar — guia em 6 passos

  1. Mapear tarefas críticas
    Levante operações com esforço, posturas extremas, repetições elevadas e queixas anteriores. Envolva supervisores e trabalhadores.
  2. Medir a exposição
    Registe tempos de ciclo, alcances, alturas, pesos e frequência. Fotografe/filme com consentimento para análise postural.
  3. Avaliar o risco com métodos reconhecidos
    Utilize ferramentas observacionais adequadas ao tipo de tarefa (p. ex., RULA, REBA, Strain Index, OCRA). São métodos validados e de aplicação relativamente rápida na linha.
  4. Eliminar/reduzir o risco na fonte (hierarquia de controlo)
    • Engenharia: mecanizar elevação/transporte (talhas, elevadores de vácuo, mesas elevatórias); reduzir o peso unitário; adicionar pegas às embalagens; ajustar altura de bancadas e paletes; reposicionar materiais para a zona de conforto.
    • Organização: rodízio de tarefas, pausas ativas planeadas, dimensionamento de equipas para tarefas de duplas; planeamento de picos.
    • Pessoas: formação prática (técnicas seguras, uso de auxiliares), regras de pedido de ajuda.
  5. Formar e capacitar
    Formação específica para cada posto, com foco em técnicas de pega/elevação, sinais de fadiga e reporte precoce, conforme obrigações da Lei 102/2009. Diário da República
  6. Vigiar e melhorar continuamente
    Integre indicadores e reavalie após mudanças no layout/processo. Envolva a Medicina do Trabalho e os trabalhadores na deteção precoce de sintomas. Diário da República

Check-list rápida (10 medidas de impacto)

  1. Limitar pesos unitários e dividir cargas acima dos limiares de referência. Diário da República
  2. Ajustar alturas de trabalho (cotovelo ±5–10 cm como referência para tarefas de precisão; use mesas elevatórias).
  3. Aproximar a carga do corpo e reduzir alcances >40–50 cm.
  4. Introduzir auxiliares de elevação/transferência (talhas, stackers, roletes, carros de apoio).
  5. Reconfigurar o layout para fluxos em U ou em linha reduzindo voltas e torções.
  6. Implementar rodízio e pausas ativas em tarefas de alta repetitividade.
  7. Normalizar embalagens com pegas e atrito adequado; evitar superfícies escorregadias.
  8. Fornecer ferramentas com pegas neutras e gatilhos de baixa força; manutenção preventiva.
  9. Estabelecer um procedimento de reporte precoce de sintomas e ajustar tarefas temporariamente.
  10. Validar melhorias com uma reavaliação (RULA/REBA/Strain Index) e comparar scores “antes/depois”.

Indicadores a acompanhar (mensal/trimestral)

  • % de postos avaliados com método ergonómico;
  • Nº de melhorias de engenharia implementadas;
  • Taxa de absentismo por LMELT;
  • Nº de queixas/sintomas reportados e tempo médio de resposta;
  • Taxa de reincidência após regresso ao trabalho.

Referências essenciais (síntese)

ACT — Exposição a riscos biomecânicos e LMELT
https://portal.act.gov.pt/Pages/exposicao-riscos-biomecanicos-lesoes-musculosqueleticas.aspx

EU-OSHA — Work-related MSDs: prevalence, costs and demographics (relatório)
https://osha.europa.eu/sites/default/files/Work-related_MSDs_prevalence_costs_and_demographics_in_the_EU_report.pdf

Lei n.º 102/2009 (SST) — versão consolidada
https://diariodarepublica.pt/dr/legislacao-consolidada/lei/2009-56365341-106425840

DL n.º 330/93 — Movimentação manual de cargas (Diário da República)
https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/330-1993-653125

ACT/EU-OSHA — Guia “Locais de trabalho saudáveis: Aliviar a carga”
https://portal.act.gov.pt/AnexosPDF/Campanhas/2020/Locais%20de%20trabalho%20Saudaveis/Materiais%20EU-OSHA/HWC20_Guide_TE0120122PTN%20(4).pdf

ACT — Livro: Movimentação manual de cargas (síntese prática)
https://portal.act.gov.pt/AnexosPDF/Documentação/Livros/Ergonomia/Movimentação%20manual%20de%20cargas_geral.pdf

OSHwiki (EU-OSHA) — Ferramentas observacionais para LMELT
https://oshwiki.osha.europa.eu/en/themes/observation-based-tools-assessment-risk-musculoskeletal-disorders

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